segunda-feira, 2 de maio de 2011

Desconexão: A Teologia dos tempos de Jesus

Graça e paz!


Nos tempos de Cristo havia uma teologia vigente. E ela era verdadeira, afinal fora dada pelo grande líder hebreu Moisés. A teologia do povo judeu, entre outras coisas, contava da sua história, de suas derrotas, vitórias e superações. Era uma boa teologia, aliás, ótima! Na teologia dos tempos de Jesus percebemos a atenção especial em relação à família, vemos a identidade de um povo em forma de nação.

Mas a teologia dos tempos de Jesus começou a cair em um precipício chamado desconexão. Começou-se a valorizar a teologia pela teologia. Quando isso acontece, a vida humana perde o valor, afinal deve-se proteger a teologia.

Quando o bem maior de um povo deixa de ser as pessoas e passa a ser a teologia, a desconexão se instala.

Quando a cura de um cego num sábado é condenável, unicamente pelo dia em que foi realizada, há de se repensar a teologia. Quando os maiores exemplos de fé de um povo vêm de fora dele, há de se repensar a teologia, pois a desconexão já se instalou.

E esta é a pior doença que uma teologia pode sofrer: a desconexão. Desconexão com a vida. Desconexão com as pessoas e realidade que a cerca. Quando isso acontece há de se repensar os conceitos teológicos, ou, no mínimo, sua aplicação.

A teologia deve ser ao mesmo tempo um guia e um mordomo. Deve direcionar o homem em um ideal e também servi-lo em suas perguntas, angústias e incertezas. Mas a teologia nos tempos de Jesus, como em nosso sistema solar, tornou-se uma estrela anã, onde todos passaram a orbitá-la.

A teologia dos tempos de Jesus dava respostas a perguntas que ninguém mais fazia. Perguntava coisas que ninguém mais queria responder. A leitura da Lei e Profetas aos sábados, que era uma grande riqueza do povo, tornou-se padrão ritualístico. Quando isso acontece, a desconexão se instala.

Jesus não veio propor uma nova teologia, mas mostrar que a vida humana, para Deus, tem valor inestimável. Jesus não veio propor uma nova teologia, com doutrinas, normas morais ou conceitos avançados. Antes, veio ensinar a ser gente, como gente realmente deve ser.

Gosto muito do que disse o Pr. Ed René Kivitz sobre a teologia “não estar pronta”. Concordo. Quando lidamos com teologia, precisamos entender que nosso escopo não está, e nem nunca estará fechado. Estamos lidando com um assunto infinito.

A desconexão da teologia com as pessoas, e consequentemente de Deus, fica muito clara no episódio da mulher pega em adultério. Os religiosos levaram aquela mulher à presença de Jesus, não para decidir o destino de sua vida, mas para saber a posição teológica de um Rabi tão controverso. O importante era saber se Jesus compartilhava de sua obsessão pela teologia e seu cumprimento a qualquer custo. Mas Jesus escolheu a vida humana. Ele sempre escolhe a vida humana.

Temo que a teologia de hoje esteja sofrendo da mesma doença: a desconexão. Às vezes ouço certas coisas e me pergunto qual a conexão disso com a vida das pessoas?

Em meio a chavões, clichês e repostas prontas, vidas estão perdendo a visão do Mestre de sandálias andando à beira da religiosidade para resgatar a dignidade humana. A teologia de hoje dá respostas para perguntas inexistentes. Faz afirmações que não acham morada nos corações. E, quando a defesa de uma teologia passa a ser o centro de uma reunião de pessoas, Jesus se afasta e a desconexão se instala.

Não defendo aqui, a liberalidade teológica, até porque a história da igreja, com mais de dois milênios não pode ser ignorada. No entanto, urge que a teologia, ou melhor, os teólogos, lidem com questões de nossos tempos, que estão deixadas de lado por religiosos que sentem vergonha por não saber o que dizer. Questões como homossexualismo, abandono de recém-nascidos, violência doméstica, sexo, drogas devem fazer parte da pauta da teologia moderna.

Se isso não acontecer, a desconexão já se instalou.

Que Deus nos livre de desconectarmos nossa teologia da vida das pessoas, pois se não amarmos nossos irmãos os quais vemos, também não poderemos amar a Deus, que não podemos ver.

Deus te abençoe!

9 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom seu artigo

Vinicius Morais disse...

Obrigado pela visita e comentário!

Daniel PC disse...

Muito bom irmão, oremos para que continuemos avançando no caminho do verdadeiro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, caminhando como seus Talmidim, sendo um reflexo Dele, até sua vinda, Deus te guie Irmão, que Deus nos guie nesse tempo tão conturbado em que vivemos.

Vinicius Morais disse...

Daniel,

Obrigado pelas palavras.
Que possamos seguir O caminho da vida.

Gde abraço!

Wendel Bernardes disse...

Acabei de descobrir que concordo com o Ed René Kivitz sem mesmo ter lido ansolutamente nada dele! (srrs)

Creio que a Teologia não está pronta, principalmente porque ela é uma visão parcial dum Ser que é vasto demais para ser 'catalogado' pela ciência humana, mesmo que essa ciência esteja ligada ao estudo desse Ser!

Creio que estamos focando coisas certas, com bom conteúdo e boa visão (como você falou da Teologia de Moisés, por exemplo...), mas acabamos desagradando a Deus errando o foco quando priorizamos nossas visões em relação ao todo que é o Espírito de Deus e Sua obra na Igreja e por ela!

Ótimo texto cara!

Vinicius Morais disse...

Grande Wendel, sempre enriquecendo o blog.
Concordo contigo mano!
E o convite continua de pé, viu?

Abs!

Marco Alcantara disse...

Ótimo texto é um texto seu Vinicius?

Em suma também entendo que a teologia não está pronta. Mas o que temos em mãos também nunca deve marcar conceitos sobre Deus. Fazendo dos conceitos teologicos um dogma ou uma doutrina única e irrefutável , ou pior ainda a teologia não pode mudar Deus.

Ora, Deus É e pronto; incriado, atemporal e infinitamente um mistério.

Vinicius Morais disse...

Olá Marco, bem vindo!

Sim, o texto é de minha autoria.

A Teologia deve ser encarada como um estudo da revelação que Deus fez de si mesmo, e não um estudo sobre o próprio Deus.

Pois como poderíamos, finitos que somos, catalogar o infinito?

Muito obrigado pela visita e comentário!

Abraços!

Marco Alcantara disse...

"Pois como poderíamos, finitos que somos, catalogar o infinito?"

Fala isso p/ o Gondim (TA) e o Malafaia (TP). rs

Postar um comentário

Faça um blogueiro feliz, comente!
Se você gostou do texto, por favor, deixe seu comentário.
Se você discorda, deixe seu comentário também, para que todos possamos crescer com uma discussão sadia.

Muito obrigado!

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails
Central Blogs Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons